Educação de MS avança no Ideb e ganha fôlego para acelerar aprendizagem

Melhora em todas as etapas de ensino, crescimento da aprovação e evolução em Português e Matemática mostram recuperação dos indicadores_

Para uma criança que começa a ganhar segurança na leitura, entender melhor um problema de matemática ou avançar de ano com aquilo que realmente precisa ter aprendido, os números da educação só fazem sentido quando se transformam em oportunidades dentro da sala de aula. Os resultados do Ideb de 2025 mostram que Mato Grosso do Sul avançou justamente nessa direção: o Estado melhorou seus indicadores em todas as etapas da educação básica e acompanhou um movimento nacional de recuperação da aprendizagem.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica chegou a 5,9 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,0 nos anos finais e 4,4 no ensino médio.
Mato Grosso do Sul ainda permanece abaixo das médias brasileiras, de 6,3, 5,3 e 4,5, respectivamente, mas a diferença diminui à medida que se avança na trajetória escolar. No ensino médio, por exemplo, apenas um décimo separa o resultado estadual da média do país.

Mais importante do que observar o retrato isolado de 2025 é compreender a direção apontada pelos indicadores. Além do crescimento do Ideb, aumentaram a aprovação escolar e o desempenho dos estudantes nas duas áreas avaliadas pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), Língua Portuguesa e Matemática.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, considerando todas as redes, a nota padronizada passou de 5,96 em 2023 para 6,19 em 2025. Na rede pública, avançou de 5,70 para 5,99. Em Matemática, o desempenho subiu de 218,72 para 225,92 pontos. Em Língua Portuguesa, passou de 209,82 para 214,91.

Também houve melhora no fluxo escolar. Na rede pública, o indicador de rendimento dos estudantes dos anos iniciais passou de 0,93 para 0,95 entre 2023 e 2025. Quando consideradas todas as redes de ensino, a evolução foi de 0,94 para 0,96.

São movimentos que, combinados, ajudam a desenhar um cenário de recuperação: mais estudantes avançando em sua trajetória escolar e, ao mesmo tempo, resultados melhores nas avaliações de aprendizagem.

*O desafio agora é acelerar*
Os resultados não significam que o trabalho esteja concluído. Mato Grosso do Sul ainda precisa avançar para alcançar e superar os indicadores nacionais, especialmente nas primeiras etapas do ensino fundamental. Mas é justamente essa distância que define o tamanho do próximo passo.

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, coloca a recuperação da aprendizagem entre as prioridades da proposta educacional para os próximos quatro anos. A estratégia apresentada para 2027 a 2030 procura juntar diferentes peças de uma mesma engrenagem: alfabetização, matemática, ensino em tempo integral, modernização das escolas, formação de professores, tecnologia e educação profissional.

A lógica é impedir que dificuldades adquiridas nos primeiros anos acompanhem crianças e adolescentes até o fim da educação básica.

A própria experiência recente ajuda a dimensionar o desafio. No período da pandemia e nos anos seguintes, Mato Grosso do Sul decidiu não adotar a chamada aprovação automática. Como a taxa de aprovação é um dos componentes utilizados no cálculo do Ideb, a decisão teve impacto sobre o indicador estadual.

Esse contexto, porém, não reduz a necessidade de melhorar a aprendizagem. Ao contrário: reforça a importância de trabalhar simultaneamente permanência, fluxo escolar e domínio efetivo dos conteúdos.

É por isso que uma das prioridades para o próximo período está nos primeiros anos da educação básica. A proposta prevê fortalecer a cooperação técnica com os municípios na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, além de consolidar políticas de alfabetização e aprendizagem em matemática.

A aposta parte de uma ideia simples: quanto mais cedo uma dificuldade é identificada e enfrentada, menores são as chances de ela se transformar em uma barreira permanente na vida escolar.

*Mais tempo para aprender*
Outro caminho é a ampliação do ensino em tempo integral, principalmente em regiões de maior vulnerabilidade social.

A jornada ampliada pode aumentar o tempo disponível para aprendizagem, acompanhamento pedagógico, atividades culturais, esportivas e desenvolvimento de novas habilidades. Mas a proposta parte também do entendimento de que permanecer mais horas dentro de uma escola somente produz resultados quando essa permanência está acompanhada de estrutura adequada e de uma proposta pedagógica capaz de aproveitar esse tempo.

Por isso, a expansão do ensino integral aparece associada à modernização da rede.

Nos últimos anos, o Governo do Estado ampliou reformas, construções e investimentos em equipamentos escolares. Para o próximo ciclo, a intenção é transformar essa modernização em uma política permanente, incorporando de forma mais ampla recursos tecnológicos, inovação pedagógica, lousas digitais e laboratórios de robótica.

A escola, nesse desenho, precisa acompanhar uma sociedade em rápida transformação. Para uma geração que encontrará um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela tecnologia, inteligência artificial, automação e novas formas de produção, aprender a utilizar ferramentas digitais deixa de ser apenas complemento e passa a integrar a própria formação.

*Professores no centro da mudança*
Nenhuma dessas transformações acontece apenas com prédios, computadores ou indicadores.

É dentro da sala de aula que a política educacional encontra sua prova mais concreta, e isso coloca professores, coordenadores, gestores e profissionais de apoio no centro da estratégia.

O Plano de Governo de Riedel, protocolado na semana passada, prevê ampliar os programas de formação continuada de professores e gestores, buscando associar valorização profissional, atualização pedagógica e capacidade de responder às mudanças que chegam à escola.

A formação permanente ganha importância especialmente diante de uma rede que precisa realizar diferentes tarefas ao mesmo tempo: recuperar aprendizagens perdidas, incorporar novas tecnologias, ampliar o tempo integral, atender estudantes com necessidades distintas e preparar os jovens para um mundo profissional em transformação.

*Da escola ao primeiro emprego*
Para quem se aproxima do fim da educação básica, o desafio deixa de ser apenas aprender e passa também a envolver uma pergunta inevitável: o que fazer depois da escola?

A educação profissional aparece como uma das principais respostas.

A modalidade já chegou aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, com formações relacionadas às características econômicas de cada região. A estratégia para os próximos anos é aprofundar essa conexão, aproximando a formação técnica das oportunidades abertas pelo desenvolvimento estadual.
Isso significa olhar para as diferentes realidades do território.

As necessidades profissionais de uma cidade marcada pelo agronegócio podem ser diferentes das encontradas em regiões industriais, polos de serviços ou municípios alcançados por novos investimentos. Ao regionalizar a oferta de formação, a intenção é fazer com que a escola dialogue com essas vocações sem limitar o estudante a elas.

A educação técnica pode servir como caminho direto para o primeiro emprego, mas uma formação básica mais sólida também amplia as condições para que o jovem continue estudando e chegue ao ensino superior.

Hoje, 23% da população sul-mato-grossense possui nível superior, o sétimo maior percentual do país. Ampliar essa presença depende, necessariamente, de uma educação básica capaz de oferecer as condições para que mais jovens tenham escolha sobre o próprio futuro.

*Uma trajetória que começa a mudar*
Os resultados de 2025 não colocam Mato Grosso do Sul no ponto de chegada e nem são um sinal de má educação. Eles colocam o Estado em movimento.
Estar abaixo da média brasileira ainda representa um desafio concreto, que não desaparece porque os indicadores melhoraram. Mas há diferença entre enfrentar essa distância em um cenário de queda e enfrentá-la em um cenário no qual Ideb, aprovação, Português e Matemática avançam simultaneamente.
É essa mudança de direção que os novos números ajudam a revelar.

O próximo desafio será transformar avanços pontuais em uma trajetória contínua: fazer com que a criança alfabetizada na idade adequada avance com segurança pelos anos seguintes, que o adolescente encontre uma escola capaz de recuperar dificuldades antes que elas se tornem abandono e que o jovem termine a educação básica preparado para continuar estudando, ingressar em uma formação técnica ou disputar uma oportunidade de trabalho.

Na prática, o futuro da educação sul-mato-grossense será medido menos pela posição circunstancial em um ranking e mais pela capacidade de manter essa curva ascendente.

Porque, por trás de cada décimo acrescentado ao Ideb, existe aquilo que realmente importa: uma criança que lê melhor, um estudante que compreende mais, um jovem que permanece na escola e uma porta a mais que pode se abrir quando ele sair dela.

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