Efetivado antes mesmo de concluir o Ensino Médio, Wender Cardoso mostra
como a educação profissional da rede estadual pode transformar formação
escolar em renda e projeto de vida
No primeiro dia como jovem aprendiz, Wender Cardoso chegou à empresa sem
saber exatamente o que encontraria. Ainda cursava o 2º ano do Ensino Médio
e carregava o nervosismo comum a quem entra pela primeira vez em um
ambiente profissional. Aos poucos, porém, organizar arquivos, elaborar
planilhas e cumprir responsabilidades administrativas passaram a fazer parte
de sua rotina.
“Entrei sem saber muito o que fazer do futuro e encontrei uma oportunidade
que mudou minha trajetória”, relata.
A experiência começou em 2024, quando Wender estudava no itinerário de
Marketing Digital do Centro de Educação Profissional Hércules Maymone, em
Campo Grande. Naquele ano, ele ingressou no Programa de Aprendizagem
Profissional, iniciativa que conecta estudantes de 14 a 24 anos da Rede
Estadual de Ensino ao mercado de trabalho por meio de contrato formal,
remuneração e formação prática.
Encaminhado para atuar como auxiliar administrativo na empresa Guatós, o
estudante passou a conciliar as aulas com a experiência profissional. Enquanto
a escola oferecia conteúdos técnicos e orientação sobre postura, entrevistas e
relações no ambiente de trabalho, a empresa apresentava situações concretas
que exigiam responsabilidade e iniciativa.
“A escola ajudou com o conteúdo das aulas. O resto foi correr atrás”, resume
Wender.
A combinação entre formação e prática produziu um resultado que ele não
esperava tão cedo. Ao concluir o Ensino Médio, recebeu a notícia de que seria
efetivado pela empresa.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição
aprovado em convenção, experiências como a de Wender mostram como a
educação profissional pode ampliar a confiança dos estudantes e aproximá-los
das oportunidades existentes.
“A combinação entre escola e experiência prática fortalece a confiança desses
jovens”, afirma.
Hoje, Wender possui emprego formal e cursa Gestão de Tecnologia da
Informação, na modalidade a distância, pela Unifamma, em Maringá. A renda
passou a contribuir com o orçamento da família, formada pela mãe, servidora
pública, e pelo pai, pedreiro.A conquista trouxe uma independência que antes parecia distante e modificou
também as perspectivas do estudante sobre o próprio futuro.
“A escola me deu essa chance de aprender e trabalhar ao mesmo tempo. Na
empresa, pude conhecer uma nova realidade e agora, com o primeiro
emprego, temos mais uma carteira de trabalho assinada em casa”, conta.
A trajetória de Wender ilustra a estratégia da gestão estadual de aproximar a
escola das demandas do mundo do trabalho. A proposta é fazer com que a
formação escolar não termine apenas no diploma, mas também ofereça
conhecimentos, experiência e condições para que os jovens iniciem uma
profissão.
Desde 2023, quando o Programa de Aprendizagem Profissional passou a
integrar a Rede Estadual de Ensino, mais de mil adolescentes foram
contratados como jovens aprendizes em Mato Grosso do Sul.
Somadas às demais iniciativas de Educação Profissional, as ações alcançaram
mais de 100 mil jovens nos últimos três anos, com a ampliação da oferta de
cursos técnicos e formações voltadas à preparação para o mercado.
O desafio é garantir que essas oportunidades cheguem a estudantes de
diferentes regiões e condições sociais, especialmente àqueles que precisam
conciliar a formação com a necessidade de contribuir para a renda familiar.
No caso de Wender, o contrato de aprendizagem funcionou como uma ponte
entre a escola e o emprego formal. O jovem que entrou na empresa inseguro e
sem clareza sobre o futuro saiu do Ensino Médio com experiência profissional,
carteira assinada e um novo curso em andamento.
Mais do que antecipar o ingresso no mercado, a oportunidade permitiu que ele
começasse a construir uma trajetória. A sala de aula ofereceu a base; o
trabalho trouxe experiência; e a efetivação abriu caminho para novos planos



